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Archive for abril \13\UTC 2010

Trecho de “Fausto”

O POETA

Oh! não me fales da vã multidão

Cuja presença o gênio nos desgasta.

Deixa-me oculta a humana flutuação

Que, ao seu remoinho, à força nos arrasta.

Não! Leva-me à alma, espiritual mansão,

Em que só o poeta haure alegria casta

E a amizade, o amor, com mão celeste,

Fomentam bens de que a alma se reveste.

_

Ah! o que do imo peito tem surgido,

O que assoprara o lábio vacilante,

Ora ainda falho, ora bem sucedido,

Traga a violência di impetuoso instante.

Só após ter os anos transcendido,

Reaparece em perfeição radiante.

Nasce o que brilha apenas para o já;

Para o porvir, o que é real viverá.

_

OBS: Traga tem sua origem no verbo tragar e não no verbo trazer.

CategoriasPoesia
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