Trecho de “Fausto”
O POETA
Oh! não me fales da vã multidão
Cuja presença o gênio nos desgasta.
Deixa-me oculta a humana flutuação
Que, ao seu remoinho, à força nos arrasta.
Não! Leva-me à alma, espiritual mansão,
Em que só o poeta haure alegria casta
E a amizade, o amor, com mão celeste,
Fomentam bens de que a alma se reveste.
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Ah! o que do imo peito tem surgido,
O que assoprara o lábio vacilante,
Ora ainda falho, ora bem sucedido,
Traga a violência di impetuoso instante.
Só após ter os anos transcendido,
Reaparece em perfeição radiante.
Nasce o que brilha apenas para o já;
Para o porvir, o que é real viverá.
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OBS: Traga tem sua origem no verbo tragar e não no verbo trazer.
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